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Logo abaixo, caixas de texto com fundo branco e amarelo contendo missão, visão e valores do instituto, ordenadas uma ao lado da outra.

Um último texto, falando sobre os futuros programas do Instituto Magnus, pode ser localizado abaixo e do lado esquerdo. Ao lado direito, em um bloco de cor cinza escura, está o botão que irá te levar para a página do projeto “Cão-guia”.

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Será que existem cães-guias para pessoas com deficiência visual e auditiva (surdocegos)?

Categoria: Perguntas e Respostas | Curiosidades

Por Murilo Delgado

E você, já parou para pensar se existem cães-guias para pessoas com surdocegueira? Conversei com o instrutor de cão-guia do Instituto Magnus, Moisés Vieira Junior, para entender se isso é possível e como funciona. Afinal, ele trabalha há 24 anos na área e com certeza já deve ter se deparado com esse tipo de treinamento. 
Moisés me contou que participou de dois treinamentos com pessoas surdocegas, ambas mulheres - uma delas totalmente cega e surda e a outra tinha resquícios de visão e audição. A primeira experiência foi logo no início da carreira, acompanhando uma instrutora mais experiente.

Treinando o cão-guia

Toda comunicação com a aluna surdocega era feita através da máquina Braille. Quando precisava passar alguma instrução durante uma caminhada com o cão, por exemplo, ele escrevia o que desejava dizer encostando a máquina nas costas da aluna, assim ela saberia que estava sendo notificada, evitando interferir a caminhada. Essa aluna já teve um cão anteriormente, então tinha algumas noções sobre os movimentos do animal, mas a comunicação com ele (o cão) era uma situação diferente, pois não conseguia vocalizar os comandos, sendo necessário a adaptação por meio de gestos. 
Outro desafio enfrentado foi a localização onde a aluna morava, uma cidade litorânea. Como várias cidades de praia, o local ficava vazio boa parte do ano, mas cheia de turistas na época de férias. Portanto foi necessário treinar as duas situações com o cão para que ele conseguisse assumir a responsabilidade, pois sua parceira não poderia ajudá-lo a interpretar os sons ao redor.
A outra experiência foi com uma pessoa com baixa visão e que tinha um pouco de audição. Por possuir aparelho auditivo, ela conseguia, mesmo com dificuldade, dar alguns comandos verbais ao cão. Nesse caso, para se comunicar, Moisés costumava se posicionar em frente a aluna, em um lugar com uma iluminação favorável à visão dela e que ela conseguisse ler os lábios do instrutor.
Da mesma forma que o caso anterior, o cão precisava assumir mais responsabilidade do que um cão-guia trabalhando com uma pessoa cega, pois o parceiro/usuário não teria como ajudá-lo a interpretar o ambiente.

O cão-guia e a pessoa surdocega

Moisés trabalhou em conjunto com a escola estadunidense Leader Dogs, que tem um time especializado em treinamento para surdocegos. Essa equipe seleciona, dentre os cães, aqueles mais disciplinados para o trabalho com esse grupo em específico. O treinamento com as pessoas é feito utilizando sinais táteis e, durante a caminhada, o instrutor faz os sinais nas costas do aluno para que ele entenda as informações sem precisar mudar de posição. Se a indicação fosse virar para direita, por exemplo, o instrutor fazia o sinal nas costas do aluno para que ele sentisse a orientação.
Perguntei a ele também se seria possível treinar cães para esse trabalho aqui no Brasil, Moisés explicou que seria ainda mais difícil, pois a acessibilidade para pessoas com deficiência visual é algo escasso e os recursos para pessoas que tenham também a deficiência auditiva é ainda menor ou nenhuma.
Esperamos que esse quadro possa mudar em breve e que cada vez mais, as pessoas possam desfrutar o mundo com total acessibilidade e enxergar todas as maravilhas pelos olhos dos nossos amigos de quatro patas.

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